Os arquitetos de destaque 2026 reunidos pela Exame em parceria com a Architecture Hunter formam uma lista de 15 escritórios fundados há no máximo sete anos ou liderados por profissionais de até 35 anos. Aqui, “escritório” significa estúdio de projeto, e não sala comercial. Leio essa lista como um sinal antecipado do tipo de projeto residencial que tende a aparecer nas conversas de compradores e incorporadoras de Campinas nos próximos ciclos de lançamento.
Arquitetos de destaque 2026: Quem fez a curadoria e com quais critérios
A seleção nasceu de uma parceria entre a Exame e a Architecture Hunter, plataforma que se apresenta como a maior do mundo sobre o tema e foi fundada pela arquiteta brasileira Amanda Ferber. A marca Oficina apoiou a iniciativa. O recorte é objetivo em dois pontos: idade do escritório e idade dos sócios. Entra quem tem até sete anos de existência ou profissionais com até 35 anos.
O critério subjetivo pesa mais. Os organizadores buscaram autenticidade e consistência na obra, além da disposição de propor caminhos novos para a arquitetura, o design e o paisagismo do país. Nenhuma dessas qualidades vira número em planilha, e é justamente por isso que a lista informa mais do que um ranking de faturamento.
Por que geração não é sinônimo de idade
A curadoria deixa claro que “nova geração” não depende de data de nascimento. Um recém formado pode entregar uma produção madura, e um profissional que passou décadas em grandes escritórios pode abrir uma fase autoral aos 45. Para o leitor do mercado imobiliário, a distinção importa porque muda a forma de avaliar um projeto.
Também vale desambiguar “autoral”. Neste texto, projeto autoral é aquele com assinatura reconhecível de um arquiteto ou escritório, que decide partido, materiais e implantação. Ele se opõe ao projeto de prateleira, replicado em série por uma incorporadora com poucas variações. Um edifício em Campinas pode ter arquiteto responsável e ainda assim não ser autoral.
Da Semana de 1922 à arquitetura moderna brasileira
O reconhecimento nacional da arquitetura brasileira veio antes da bossa nova cantada mundo afora e antes das estrelas bordadas na camisa da Seleção. O estopim foi a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, que rompeu com o academicismo. Cerca de dez anos depois, surgiu a arquitetura moderna brasileira, com Lúcio Costa, Gregori Warchavchik e, mais tarde, Oscar Niemeyer.
Esse histórico explica a expectativa em torno das novas gerações. A lista de 2026 tenta responder a uma pergunta que a arquitetura brasileira se faz desde então: qual é a identidade do que se constrói aqui hoje? Cidades com formação própria de profissionais, como Campinas, que tem curso de Arquitetura e Urbanismo na PUC Campinas e Unicamp, acompanham essa discussão de perto.
O que a lista significa para quem compra ou investe em Campinas
Para o comprador, o efeito prático é indireto e exige cautela. Projeto de escritório premiado não garante valorização, e não existe série histórica pública que isole o preço adicional de um imóvel autoral em bairros como Cambuí, Taquaral, Gramado, Sousas ou Barão Geraldo. Quem afirma o contrário sem apresentar transações comparáveis está vendendo narrativa.
O que dá para verificar são três pontos concretos antes de pagar por assinatura:
- Conformidade legal. O Plano Diretor de Campinas (Lei Complementar 189/2018) e a lei de uso e ocupação do solo (Lei Complementar 208/2018) definem o que pode ser construído em cada zona. Nenhum arquiteto, por mais premiado, altera coeficiente de aproveitamento ou taxa de ocupação.
- Responsabilidade técnica. Todo projeto exige o Registro de Responsabilidade Técnica no CAU, conforme a Lei 12.378/2010. Peça o número do RRT e confirme quem responde pela obra.
- Desempenho da edificação. A norma ABNT NBR 15575 fixa requisitos de desempenho para edificações habitacionais, como conforto térmico e acústico. Um bom partido arquitetônico precisa passar por ela.
Ao ver um lançamento que cita arquiteto de destaque, pergunte qual parte do projeto ele assina: só a fachada, as áreas comuns ou as plantas das unidades. A resposta mostra se o nome é decisão de projeto ou recurso de vendas.
Onde estão os 15 escritórios e por que nenhum é de Campinas
Dos 15 escritórios da lista da Exame, oito têm sede no estado de São Paulo: sete na capital e um em Barueri. Os outros sete estão em Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Salvador, Belém e Uberlândia. Para quem acompanha o mercado imobiliário de Campinas, esse dado organiza a leitura do resto do texto.
Sete escritórios de São Paulo capital, a pouco mais de 90 quilômetros
A capital concentra quase metade da lista, com nomes como Beatriz Meyer e Elisa Friedmann, Danielle e Raquel Khoury, Federico Concilio, Guilherme Abreu, Leonardo Zanatta, Renata Leinemann e Victor Ortiz e Rodrigo Rocha. Campinas fica a pouco mais de 90 quilômetros dessa concentração, ligada pelas rodovias Bandeirantes e Anhanguera. Um escritório paulistano atende um terreno no Cambuí ou em Sousas sem precisar abrir filial.
Quanto custa o metro quadrado em Campinas em 2026
O Índice FipeZAP Residencial marcou R$ 7.899 por metro quadrado em Campinas em junho de 2026, com alta de 9,69% em 12 meses e a 29ª posição entre as 56 cidades monitoradas. Como referência regional, São José dos Campos aparece com R$ 9.470 e valorização de 10,29% no mesmo período. Campinas cresce em ritmo parecido e parte de um preço mais baixo, o que mantém o mercado imobiliário de Campinas no radar de quem compara cidades do interior paulista.
Aluguel subiu quase 20% em 2025
No aluguel, o dado chama mais atenção. Segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial, Campinas teve alta de 19,92% em 2025, a maior entre as cidades que não são capitais, mais que o dobro da média nacional de 9,44%. Para o investidor, isso pressiona o rendimento de imóveis em Campinas comprados para renda. Para o morador, encarece a decisão de esperar. O índice mede preço pedido em anúncios, não contrato assinado, então a alta real pode ser menor.
Cambuí, Taquaral, Sousas, Gramado e Barão Geraldo pedem contas diferentes
A média da cidade esconde bairros com demanda muito distinta. O Cambuí concentra edifícios de alto padrão e serviços a pé. O Taquaral vende proximidade da Lagoa do Taquaral. Sousas e Gramado têm mais condomínios de casas e áreas arborizadas. Barão Geraldo gira em torno da Unicamp, com procura constante de estudantes e docentes por locação. Um projeto autoral pesa de formas diferentes em cada um desses perfis, e o preço médio de R$ 7.899 não serve de régua para nenhum deles.
Perguntas que a incorporadora precisa responder por escrito
Ao ver um lançamento que cita um arquiteto da lista, leve estas perguntas e exija resposta documentada:
- O escritório assina fachada, áreas comuns, plantas das unidades ou o projeto completo?
- Quem responde pelo projeto executivo e pelo acompanhamento de obra?
- Qual é o valor por metro quadrado de área privativa e como ele se compara com lançamentos vizinhos?
- O que muda no projeto se o custo de obra subir?
Resposta vaga a qualquer uma delas indica que o nome do arquiteto entrou como argumento de venda, sem peso no projeto.
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